terça-feira, 22 de outubro de 2013



O Moral podre cristão,
 que permite todas as atrocidades possíveis em troca de fiéis. O assassino Guilherme de Pádua é um exemplo típico do "tudo é permitido". De acordo com o moral cristão, a vítima não importa, o que importa é quem está "vivo", ou seja, o agressor. Se a vítima não morreu, problema é dela também! O agressor tem sua chance de se redimir e pedir o perdão divino em troca de dízimos e seguidores. 

Não importa o mal que ele tenha causado, não importa as vidas e famílias que ele tenha destruído, não importam as histórias que ele tenha interrompido, sempre há lugar para mais um no coração de deus! 
Ao agirmos assim, ao incluirmos esses criminosos na nossa sociedade, nós legitimamos o crime e vulgarizamos a vítima e sua família. 
Quem disse que o assassino Guilherme de Pádua tem o direito de ser um "homem santo"?? Um "milagre divino"? Quem lhe conferiu tais adjetivos? Como pode uma sociedade devolver um assassino covarde e cruel à vida normal sem, em  momento algum, se preocupar com a família da Daniela ou com a Daniela em si? O cristão não é capaz de sentir as dores dela? Não é capaz de sentir as dores da mãe dela? Do marido dela? Já pararam pra pensar o que é ser morta à tesouradas?? Já pararam pra pensar nos últimos momentos da Daniela antes de morrer? O que passou na cabeça dela? Os sonhos, as histórias e uma vida inteira destruídos por causa de um marginal covarde que agora tem a bênção divina!

Não me admira muito uma seita que queimou pessoas vivas por milênios agora legitimar assassinos em troca de fiéis. Nossa sociedade está apodrecendo nas "mãos" dos cristãos. Se não os detivermos, perpetuaremos o mau-caratismo, os assassinos, os aproveitadores, os preconceituosos, os sectaristas, os estelionatários, os corruptos e etc. Todos eles, não importa o mau que causem, serão aceitos na nossa sociedade cristã, pois sempre terão o perdão divino, bastando se confessar aos domingos. E ai de quem se opuser às vontades divinas! Não se sabe como, mas deus é representado na terra pelos mesmos maus-caracteres que vivem roubando dinheiro de fiéis alienados.

Por uma simples questão estatística: 92% da população carcerária do Brasil é composta por cristãos, os outros 8% acreditam em deus mas não têm religião.

Quer um lugar onde vc estará com certeza de 100% na presença de gente de deus?? Vá a um presídio!


Eu escolhi o lado do bem.... 


                                                       O egoísmo do altruísmo

Se o objetivo é a bondade – o próximo é o meio. Se valorizamos o próximo, é porque o usamos como um meio para nosso fim, que é o de satisfazer nossa natureza – isso se é que há alguém realmente assim; talvez com isso queira apenas se reconciliar com seu estômago. Em todo caso, que importa se isso torna os outros felizes? Esse estardalhaço da “virtude altruísta” não passa de uma fachada. O fato é que acreditamos mais nos outros do que em nós mesmos, e é só isso que faz pensarmos que o altruísmo é uma virtude. Nossa vaidade se infla, faz cócegas em nosso ego – e nosso cérebro acredita. Enfim, isso não é nada demais. Trata-se de um auto-engano saudável.
                                        
                                                                                                            André Díspore Cancian



Misoginia cristã


«As fundações da misoginia cristã – a sua culpa em relação ao sexo, a sua insistência na submissão da mulher, o tema da sedução feminina – estão nas Epístolas de S. Paulo. Elas fornecem um conveniente suplemento de textos misóginos divinamente inspirados para qualquer escritor cristão que os queira escolher; as suas declarações sobre a submissão da mulher foram ainda citadas no decurso do século XX pelos opositores da igualdade das mulheres.»[1]

Como Katharine Rogers aponta, a misoginia cristã, que tem perpassado toda a cultura ocidental, repousa basicamente em três aspectos fundamentais: (1) percepção negativa que o Cristianismo manifesta sobre a vida sexual; (2) percepção da mulher como sedutora e como a personificação da tentação; (3) defesa da necessidade de submissão da mulher ao homem.

A percepção negativa que o Cristianismo tem do sexo foi amplamente exposta e desenvolvida por S.Paulo e seguida pela generalidade dos Padres da Igreja nos primeiros séculos do Cristianismo. No Cristianismo, como de uma maneira geral em todas as religiões, a separação entre o corpo e o espírito é um aspecto fundamental; o corpo, imperfeito e perecível é obviamente depreciado e o espírito incorruptível e eterno é exaltado. Com o corpo, o instinto e a necessidade sexual são condenadas; por arrastamento são condenadas também as relações sexuais apenas admitidas no casamento como um mal menor que, por um lado, evita um pior desregramento sexual e por outro garante a sobrevivência da espécie. Os padres da Igreja apenas toleraram o casamento, mas elogiaram o celibato como a situação mais desejável.

Como para o homem o objecto do desejo sexual - que ele pretende reprimir, é a mulher e como se sente culpado por apesar de tudo sentir esse desejo, por um mecanismo psicológico compreensível, projecta na mulher todo o sentimento de pecado e de negatividade que o sexo lhe merece. Deste modo se explica a mundividência que apresenta a mulher (Eva) eterna pecadora e sedutora, como aquela que personifica o mal de que o homem deve fugir porque é sempre ela que o induz em tentação.

Por sua vez, esta visão depreciativa da mulher leva à prescrição da sua submissão ao homem e ao recurso à autoridade divina para a legitimar: O homem há-de estar para a mulher como Cristo para a sua Igreja e qualquer desobediência a um ou a outro é vista como pecaminosa e inaceitável.

Temos assim como a rejeição e a repressão do sexo conduziu à depreciação e ao ódio do objecto sexual identificado com a mulher e à subsequente tentativa de reduzir a mulher a esse estatuto para reforçar a sua depreciação e respectivo controlo. É certo que na origem deste processo estiveram motivações inconscientes; é certo que os instrumentos conceptuais utilizados pareciam a todos muito plausíveis; é certo que só nos dias de hoje começamos a desconstruir e a perceber com mais nitidez o processo, mas nem por tudo isso ele foi - e é ainda, menos injusto e pernicioso.

[1]Katharine M. Rogers: The Troublesome Helpmate: A History of Misogyny in Literature.